Rastreando o Hacker - Conceitos
básicos
Uma das tarefas que mais tem crescido na área
da segurança digital, principalmente nas divisões de combate re-ativo e
departamentos de autoridades legais, é a identificação do autor de um crime
praticado através de computadores, principalmente da Internet.
O rastreamento de um usuário da Internet -
qualquer usuário - é possível graças aos inúmeros registros que nossos acessos
executam em cada computador por onde passamos. Alguns deles o fazem por motivos
técnicos, para viabilizar o serviço, outros possuem realmente tal banco de dados
para que sejam auditados quanto à utilização da rede, para estatísticas e mesmo
para identificação de atividades criminosas.
Estes dados geralmente são tratados com o
mesmo sigilo com que uma empresa guarda informações dos seus clientes como, por
exemplo, um banco que certifica a inviolabilidade dos dados sobre a movimentação
em uma conta bancária. Por esse motivo a investigação aprofundada dos registros
muitas vezes esbarra em questões de quebra de sigilo, assim como nos bancos,
apenas autorizada mediante imposições legais.
Uma vez permitida a verificação destes
registros, os caminhos para se chegar a um hacker - dependendo da sua
habilidade, ou da falta dela - podem ser diretos e limpos ou bastante tortuosos,
mas na grande maioria das vezes começa com a identificação de um número IP,
identificador único do usuário on-line. (consulte mais informações sobre número
IP no capítulo 5)
Fazendo o caminho inverso, fica mais fácil
observar por onde as autoridades chegam ao hacker. Simplificando o nosso
exemplo: o hacker liga seu computador e se conecta à Internet. Se esta conexão
estiver sendo feita em uma rede seu número IP será fixo, mas se a conexão for
feita via linha telefônica, seu IP será aleatório. Pela linha telefônica, é
necessário discar para um provedor de acesso, onde a conexão será estabelecida e
um número IP será entregue ao hacker.
Então, uma vez conectado, o hacker inicia
suas investidas contra determinado alvo na Internet. Este alvo pode estar
protegido ou não. Caso não esteja, o hacker invade e pode tentar apagar seus
rastros. Caso contrário, ou caso o hacker não tenha habilidade ou possibilidade
técnica para apagar os registros, as informações sobre seu acesso -
principalmente seu número IP - estarão disponíveis para uma
investigação.
Ao iniciar a investigação, primeiro
identificamos a localidade física daquele endereço IP e a que rede este número
pertence. Caso pertença a um computador fixo, seu usuário será investigado
criminalmente a respeito dos acessos indevidos. Caso pertença a um provedor,
podemos conseguir, senão com o próprio provedor, com a empresa de telefonia da
região, o número de telefone de onde partiu a ligação que originou esta conexão
em particular. De posse do número de telefone, encontramos o local utilizado e
uma investigação regular sobre o autor é iniciada.
Evidentemente este é um caso muito simples e
fácil de resolver, motivo pelo qual os criminosos experientes que executam
grandes façanhas on-line se protegem de várias formas. Vamos analisar as
principais:
Invasão de um servidor
intermediário - O hacker
pode procurar computadores na internet (geralmente servidores secundários, de
pouca importância) onde conseguem controle total sobre o sistema. A partir
deste computador, ele inicia suas atividades que, ao serem rastreadas, levarão
os investigadores ao ponto intermediário de onde partiu o ataque. Normalmente
seria possível continuar a investigação a partir deste ponto, até chegarmos no
computador original. Entretanto, ter o controle total sobre um ponto
intermediário é o suficiente para que o hacker bloqueie o caminho de volta, já
que ele pode apagar todos os registros neste ponto e frustrar a investida
contra seus rastros.
Enganar o sistema de
telefonia - Caso o hacker
não queira deixar o conforto do seu lar, ou precise de equipamentos
específicos para uma invasão, a saída é bloquear a investigação no último
nível, que é a identificação através do número de telefone - ou sistema que o
substitua. O sistema de telefonia ainda possui uma grande desatenção com
relação a segurança sobre reprogramação de centrais telefônicas. É possível,
inclusive, ter acesso físico aos cabos de telefones nas maiorias das ruas e
substituir ou adicionar ligações, de forma que atividades criminosas sejam
feitas através de linhas de terceiros.
Manter-se sempre em
movimento - Com a
facilidade de comunicação móvel e pontos públicos de acesso à rede, fica cada
dia mais fácil executar crimes virtuais sem que uma identificação positiva
seja concretizada. É possível, por exemplo, utilizar vários sistemas de acesso
público, como cyber-café ou quiosques para iniciar uma sondagem sobre um
determinado alvo e, uma vez identificada a possibilidade de invasão, procurar
meios mais seguros de utilizar ferramentas especiais como, por exemplo, linhas
telefônicas em quartos de hotel ou equipamentos celulares e
notebooks.